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Agosto Lilás e o combate à violência contra a mulher



A busca pela igualdade de diretos é antiga e ainda possui um longo caminho a ser percorrido, as mulheres sempre tiveram a necessidade de lutar por conquistas que vão desde questões estéticas, inserção no mercado de trabalho e, até mesmo, o direito a vida. Isso porque nossa estrutura social estabelece estereótipos para justificar e criar regras entre homens e mulheres, que desprivilegia e inferiorizam o sexo feminino.


A mulher é exposta a constrangimentos diários, sua capacidade é colocada em dúvida, seu corpo hipersexualizado, sua aparência padronizada, além de ser questionada em suas escolhas e obrigada a seguir uma “carreira de mãe”, entre variadas outras imposições. A desigualdade de gênero afeta níveis drásticos criando uma cultura de violência contra mulher. Cultura essa que se manifesta em níveis, físico e mental.


A violência contra a mulher se apresenta de diversas formas e intensidades, invadindo e quebrando os direitos humanos e motivando crimes hediondos. Agressões verbais, xingamentos, diminuição da autoestima, desvalorização moral, humilhação pública, ridicularização, manipulação, isolamento, vigilância constante, limitação dos diretos de ir e vir, proibição de qualquer prática e omitir fatores que coloquem a sanidade da mulher em dúvida é tido como abuso psicológico, ou violência emocional.


A violência física consiste em ferir a integridade e a saúde corporal feminina, prática que por muitas vezes leva ao óbito. A violência patrimonial é quando o parceiro controla os bens e o dinheiro, impedindo que a mulher possua uma independência financeira. Em alguns casos ela é privada do direto ao trabalho. Já a violência sexual é o abuso ao corpo da mulher com práticas sexuais não consensuais, ou a obrigação de condutas que ela não quer como a proibição de métodos contraceptivos, é a única que possui uma lei a parte, com a lei do estupro, as demais violências se enquadram na Lei Maria da Penha criada para punição do agressor e inibir atos de violências.


Em uma sociedade construída sobre princípios machistas, nenhum lugar é seguro para o sexo feminino, pré-julgado como frágil. A violência de gênero pode, e vai, acontecer em qualquer lugar. O ambiente de trabalho é por muitas vezes um local humilhante onde o homem busca, através de seu privilégio masculino, obter vantagens e até mesmo favores sexuais coagindo a vítima. Nem mesmo em sua própria casa elas estão seguras. Dados indicam que:

42% das mulheres que passaram por algum tipo de violência em 2018 e prestaram queixa, estavam em suas residências.

E mesmo em uma campanha geral é preciso fazer um recorte e chamar a atenção para mais um problema estrutural. A mulher negra está em uma desvantagem ainda maior. O fato de viver em um país machista e racista diminui ainda mais a expectativa de vida.


O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) publicaram uma pesquisa onde mostra o crescimento do homicídio feminino entre 2017 e 2018. Segundo os dados apresentados

o Brasil tem 13 homicídios de mulheres por dia, e a maior parte das vítimas é negra.

Agosto é dedicado em campanha para reforçar a conscientização e o combate a violência contra mulher, chamado de “Agosto Lilás”. O mês foi escolhido pelo aniversario da Lei Maria da Penha, que foi instaurada em 7 de agosto, de 2006. O agosto Lilás levanta e provoca uma reflexão da necessidade e da urgência em combater a desigualdade de gênero que provoca a morte e o abuso de milhares de mulheres em todo mundo de diferentes crenças, etnias e religiões.


Sobre a autora

Ativista feminista e do movimento negro, Vanessa Nunes ministra palestras sobre o assunto em diversas instituições, sempre pautando o recorte social. Coordenadora do projeto Afro-Kali que trabalha com a distribuição do conhecimento da cultura negra e a cultura ancestral, também é membro da Comunidade Acadêmica Africana de São Carlos (CAASar) que tem o objetivo de desmistificar a África. Estudou linguística na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), atualmente estudando sociologia racial no departamento de Ciências Sociais (UFSCar).

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